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Estresse no trabalho não é fraqueza: é um risco que sua empresa precisa aprender a gerenciar

Entenda por que o estresse ocupacional deixou de ser um problema individual e passou a ser um risco organizacional que afeta resultados, clima e conformidade legal.



Falar de estresse no trabalho quase sempre transforma a conversa numa busca por culpados. Às vezes, tudo parece recair sobre a empresa. Em outras, sobre a pessoa. Na prática, a vida raramente funciona assim, em linhas tão simples.

A saúde mental no trabalho se parece mais com um clima do que com um interruptor. Há dias de céu aberto e outros de tempestade, quase sempre com muitos fatores agindo ao mesmo tempo. O trabalho é um deles, importante e influente. A forma como as tarefas são organizadas, o ritmo, as lideranças, a clareza das expectativas. Tudo isso molda o ambiente em que as pessoas passam boa parte da vida.

É exatamente por essa complexidade que o estresse no trabalho não pode ser tratado com soluções simples. Ele precisa ser entendido, medido e gerenciado com método. E é aí que muitas empresas ainda erram.

Em 2025, o Brasil registrou 546.254 afastamentos do trabalho por transtornos mentais e comportamentais, segundo dados oficiais do Ministério da Previdência Social. Crescimento de 15,66% em relação ao ano anterior. É o maior número da série histórica e o quinto ano consecutivo de alta.

Ansiedade e depressão lideram o ranking. Mas o dado que mais chama atenção é o do burnout: os afastamentos por esgotamento ocupacional triplicaram entre 2023 e 2025, passando de 1.760 para 6.985 casos registrados, segundo levantamento da ANAMT com base nos dados do INSS. E esses números consideram apenas trabalhadores formais com afastamentos acima de 15 dias. O impacto real é muito maior.

O custo para o INSS com afastamentos por saúde mental chegou a R$ 3,5 bilhões em 2025. Para as empresas, o impacto se soma em produtividade perdida, retrabalho, turnover e clima organizacional deteriorado. E esses custos são silenciosos: ninguém emite nota fiscal de estresse crônico.

O problema não é novo. Mas a forma como ele precisa ser tratado mudou. E muitas empresas ainda não perceberam isso.

Estresse não é uma questão individual

Durante anos, o estresse no trabalho foi tratado como um problema pessoal. A pessoa precisava "aprender a lidar", "ser mais resiliente" ou "se organizar melhor". A empresa, no máximo, oferecia uma palestra anual sobre bem-estar ou um programa de ginástica laboral.

O que a ciência mostra é diferente. O World Wellbeing Movement, em parceria com o Wellbeing Research Centre da Universidade de Oxford, analisou mais de 3.000 estudos acadêmicos sobre bem-estar no trabalho e chegou a uma conclusão clara: o estresse ocupacional e a sobrecarga de função são riscos organizacionais, não individuais. Eles se originam nas condições de trabalho, na estrutura da empresa e na forma como as equipes são gerenciadas.

Isso significa que a solução também precisa ser organizacional. Não adianta cuidar do sintoma enquanto a causa permanece intacta.

"Se sua empresa percebe sinais de desgaste emocional, conflitos recorrentes ou aumento de afastamentos, este é um ponto de atenção importante. Conversar com especialistas pode ajudar a entender o que está por trás desses sinais."

O que alimenta o estresse dentro das empresas

Pressão excessiva por metas, jornadas longas, vínculos precários, trabalho repetitivo, falta de reconhecimento, insegurança sobre o futuro no emprego. Esses fatores aparecem repetidamente nas pesquisas como os principais geradores de sofrimento psíquico no ambiente de trabalho.

A coordenadora da Comissão de Saúde e Ambiente do Trabalho do Ministério da Saúde elenca com precisão: longas jornadas, dificuldade de deslocamento, baixos salários, vínculos precários, pressão constante e trabalho repetitivo. Não é um retrato novo, mas é um retrato que agora tem número, CID e custo previdenciário.

Não é coincidência que os afastamentos por burnout tenham crescido 493% entre 2021 e 2024, segundo o Ministério da Previdência Social. O burnout, reconhecido pela CID-11 como fenômeno estritamente ocupacional, é resultado direto do estresse crônico não gerenciado no ambiente de trabalho. E as ações trabalhistas por burnout já somam passivo estimado em R$ 3,63 bilhões para as empresas em 2025.

Estresse ocupacional e NR-1: o que as empresas precisam saber

A atualização da NR-1 trouxe uma mudança estrutural: a partir de maio de 2026, as empresas passam a ser fiscalizadas pelo cumprimento da inclusão dos fatores de riscos psicossociais, como estresse crônico, sobrecarga de trabalho, assédio e pressão por metas, dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). O descumprimento gera autuações e multas da mesma forma que já ocorre com riscos físicos e químicos.

Na prática, ignorar o estresse da equipe deixa de ser uma escolha de gestão e passa a ser um risco legal e financeiro para a empresa.

Mas cumprir a norma de forma superficial, apenas para marcar a caixa, também não resolve. O que a legislação exige é a identificação real das causas. E para identificar as causas, é preciso olhar para dentro da organização com método e profundidade.

Como a avaliação de risco psicossocial transforma dados em cuidado com os colaboradores

O primeiro passo para gerenciar o estresse como risco organizacional é medir. Isso significa entender como os colaboradores estão se sentindo, por que estão se sentindo assim e quais fatores do ambiente de trabalho estão contribuindo para esse estado.

O próprio Playbook da Universidade de Oxford reforça essa lógica: só é possível implementar estratégias eficazes de bem-estar depois de medir como as pessoas estão e explorar as razões por trás desse estado. Programas isolados, sem base em dados reais da empresa, tendem a ser ineficazes e a reforçar a sensação de que "a empresa fez alguma coisa" sem resolver nada de fato.

A avaliação de fatores de risco psicossocial é exatamente esse processo. Ela mapeia os elementos do ambiente de trabalho que impactam a saúde mental dos colaboradores, identifica os departamentos ou funções com maior exposição ao risco e gera as informações necessárias para que a empresa tome decisões embasadas.

Não é um processo burocrático, é a base de qualquer estratégia séria de saúde mental corporativa.

O custo de não agir

Globalmente, a OMS estima que depressão e ansiedade geram a perda de 12 bilhões de dias de trabalho por ano, a um custo de US$ 1 trilhão em produtividade. No Brasil, os dados de 2025 mostram que os transtornos mentais já respondem por 1 em cada 7 afastamentos concedidos pelo INSS, uma proporção que se manteve estável ao longo de todo o ano, mês a mês.

Além do custo previdenciário e jurídico, há o custo invisível: maior rotatividade, equipes menos engajadas, lideranças sobrecarregadas e uma cultura organizacional que vai se degradando silenciosamente até o momento em que o problema não pode mais ser ignorado.

O estresse não gerenciado tem um preço, e ele é pago todos os dias, mesmo quando ninguém está olhando para a conta.

Por onde começar

Se você é gestor, profissional de RH ou lidera uma empresa, a pergunta mais honesta que pode fazer agora é: eu sei quais fatores do meu ambiente de trabalho estão adoecendo minha equipe?

Se a resposta for não, esse é o ponto de partida. Não com suposições, não com programas genéricos comprados no mercado. Com uma avaliação real, feita com método, que gere dados confiáveis e direcione ações com propósito.

A Psicol realiza avaliações de fatores de risco psicossocial para empresas que querem entender o que está acontecendo com suas equipes e construir ambientes de trabalho genuinamente mais saudáveis. Se quiser conversar sobre como esse processo funciona na prática, entre em contato.

 

Referências

ANAMT – Associação Nacional de Medicina do Trabalho. Levantamento da ANAMT revela crescimento de afastamentos por problemas de saúde mental. Janeiro de 2026. Disponível em: https://www.anamt.org.br/portal/2026/01/27/levantamento-anamt-com-dados-oficiais-do-inss-revela-crescimento-dos-afastamentos-decorrentes-de-problemas-de-saude-mental-entre-2023-e-2025/

AMATRA1. Afastamentos por burnout quintuplicam em quatro anos e acompanham avanço dos transtornos mentais no trabalho. 2026. Disponível em: https://amatra1.org.br/noticias/afastamentos-por-burnout-quintuplicam-em-quatro-anos-e-acompanham-avanco-dos-transtornos-mentais-no-trabalho

World Wellbeing Movement / Wellbeing Research Centre, Universidade de Oxford. The Work Wellbeing Playbook. 2024. Disponível em: https://worldwellbeingmovement.org/playbook-2025/

Organização Mundial da Saúde (OMS). Mental health at work. Setembro de 2024. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/mental-health-at-work

Agência Brasil / Radioagência Nacional. Brasil registra aumento de casos de afastamento por causas mentais. Dezembro de 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/saude/audio/2025-12/brasil-registra-aumento-de-casos-de-afastamento-por-causas-mentais


 
 
 

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